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FLORBELA ESPANCA

Perdidamente

 

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

 

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

 

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhas de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

 

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dize-lo cantando a toda a gente!

 

_______ Florbela Espanca

 

Amo todos os sonhos que se calam.

De corações que sentem e não falam,

tudo o que é infinito e pequenino
 

_______ Florbela Espanca

 

 

"Eu era a desdenhosa, a indiferente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violências de paixão,
Como bate no peito à outra gente,

Agora, olhas-me tu altivamente,
Sem sombra de desejo ou de emoção,
Enquanto as asas loiras da ilusão
Abrem dentro de mim ao sol nascente.

Minh'alma, a pedra, transformou-se em fonte;
Como nascida em carinhoso monte,
Toda ela é riso, e é frescura e graça!

Nela refresca a boca um só instante...
Que importa?..., se o cansado viandante
Bebe em todas as fontes... quando passa?..."

 

_______ Florbela Espanca


 

 

"Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer:

nunca feri de propósito.

E também me dói quando percebo que feri.

Mas tantos defeitos tenho.

Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa.

Embora amor dentro de mim não falte."

_______ Florbela Espanca

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