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My Inspiring Wall

EDUCAR DIFERENTE URGE
Learning how to learn | Barbara Oakley | TEDxOaklandUniversity
Why most students are getting the least out of school | Dan Cardinali | TEDxPennsylvaniaAvenue
What if students controlled their own learning? | Peter Hutton | TEDxMelbourne
Why teachers teach but kids don’t learn | Ben Richards | TEDxYouth@Haileybury
What makes a good teacher great? | Azul Terronez | TEDxSantoDomingo
Toxic culture of education: Joshua Katz at TEDxUniversityofAkron
Why talking to little kids matters | Anne Fernald | TEDxMonterey
TEDx - Educar Melhor
Be there for your child, listen and never shout | Páll Ólafsson | TEDxReykjavik
COMO É POSSÍVEL MANTER ESTA TRISTE REALIDADE EM PLENO SÉC. XXI?
José Pacheco: “A Escola no século XXI é um escândalo. Com aulas ninguém aprende.”
Uma escola sem divisão por ciclos de ensino, sem turmas, sem aulas, nem testes. Uma escola onde os alunos aprendem e onde são felizes. É esta a escola que o professor José Pacheco defende.
José Pacheco tem 64 anos e é mestre em Educação da Criança, pela Universidade do Porto. Chegou a fazer parte do Conselho Nacional de Educação e ganhou prémios pelo projeto que coordenou na Escola da Ponte. Há 10 anos decidiu mudar-se e rumou ao Brasil, onde é responsável por mais de 100 projetos para um novo modelo de ensino. No ano em que a Escola da Ponte faz 40 anos, fomos ouvir o seu principal fundador.
Crítico do modelo tradicional de ensino, que afirma ser do século XIX, o professor defende a aprendizagem numa escola sem aulas, nem turmas, nem ciclos. Uma mudança radical na forma como vemos a escola pública? Sim. Mas possível de implementar, e com sucesso, garante.
Porque é que há 40 anos sentiu necessidade de mudar a forma como dava aulas? O que o levou a iniciar o projeto “Fazer a Ponte”?
Porque me vi incompetente e antiético. Incompetente porque não conseguia ensinar todas as crianças e muitas reprovavam, e antiético porque reconhecia que não ensinava todos e continuava a trabalhar do mesmo modo. E quando encontrei duas professoras que faziam a mesma pergunta que eu — “Porque é que damos a aula tão bem dada e há alunos que não aprendem?” — descobrimos a resposta: se nós dávamos as aulas e eles não aprendiam, eles não aprendiam porque nós dávamos a aula. É isso mesmo. Para nós foi perder o chão. Nós só sabíamos dar aula. Por isso não fui eu que fiz a Ponte, foi muita gente. Talvez eu fosse um despoletador do projeto. E o que fizemos foi algo intuitivo e amoroso: continuámos a dar aulas, porque criança não é cobaia, mas simultaneamente introduzimos nas nossas práticas, em equipa, algumas metodologias, técnicas, espaços de convivência, que foram dando forma a um novo projeto.
Na Escola da Ponte não há turmas, nem testes
A Escola Básica da Ponte, no concelho de Santo Tirso, marca a diferença no ensino público português há 40 anos. Nesta escola não há ciclos, nem turmas, nem testes. A escola organiza-se em núcleos de projeto e são os alunos, em conjunto com os “tutores”, que definem, quinzenalmente, os objetivos de aprendizagem e vão sendo avaliados à medida que vão dizendo que “já sabem” aquilo a que se propuseram. Na última avaliação externa, levada a cabo pela Inspeção-Geral da Educação, a escola foi avaliada com Muito Bom em todos os parâmetros.
Um projeto mais baseado na autonomia?
Na autonomia, na responsabilidade e na solidariedade, que foram os três valores matriciais do projeto. As escolas são as pessoas e as pessoas são os seus valores. A escola não são edifícios, são projetos que partem de valores e de princípios e nós fomos indo ao encontro de uma concretização desses valores.
E as mudanças começaram logo a apresentar resultados?
Houve uma melhoria cognitiva, mas nós fomos além. Nós fizemos pela primeira vez aquilo que hoje se chama de educação integral. Compreendemos que teríamos de mexer não só no nível cognitivo, mas também no domínio comportamental, sócio moral, ético, estético, emocional, espiritual.
Mas a forma de ensinar mudou repentinamente?
Não. De início dávamos aula durante a maior parte do tempo, porque era aquilo que nos tinham ensinado a fazer, mas fomos introduzindo alterações. Passámos de uma cultura de solidão para uma cultura de equipa, de corresponsabilização. Essa reelaboração da nossa cultura pessoal e profissional custou tempo e sofrimento. Decidimos habitar um mesmo espaço, derrubar paredes, juntar alunos. Compreendemos que sozinhos não poderíamos ensinar tudo a todos. Mas se estivéssemos em equipa, com um projeto, e autonomizássemos o ato de aprender, poderíamos responder efetivamente às necessidades de cada jovem. Ao fim de oito anos estava já a escola toda com um modelo diferente. E nós descobrimos uma coisa fundamental, que é que um professor não ensina aquilo que diz, ele transmite aquilo que é. Um professor tem que ser um tutor e um mediador de aprendizagens. E a aprendizagem acontece quando há um vínculo afetivo entre quem supostamente ensina e quem supostamente aprende.

Prepare Our Kids for Life, Not Standardized Tests | Ted Dintersmith | TEDxFargo
What if Schools Taught Us How to Learn | Jonathan Levi | TEDxWhiteCity
Life is your talents discovered | Sir Ken Robinson | TEDxLiverpool
The Surprising Truth About Learning in Schools | Will Richardson | TEDxWestVancouverED
OS 3 GRANDES ERROS DA ESCOLA
1. Conceber as crianças como todas iguais ou ter de formatá-las
Um dos aspectos que tem vindo a ser cada vez mais criticado no sistema escolar actual, passa pela dificuldade em acompanhar e acolher a individualidade dos alunos. Com o ritmo, metas e as estratégias pedagógicas adoptadas, a diferença nas crianças rapidamente se transforma numa limitação. A escola organiza-se de forma padronizada, com uma estrutura rígida e pouca margem para adaptações e ajustes em sala de aula. Favorece essencialmente a repetição e a imitação, ambos sinónimos de pouco envolvimento. Estamos assim a ensinar às nossas crianças que o bom, é ser e fazer igual. Viver normalizado. Ser um aluno de sucesso, fecha-se em limites rígidos de como agir.
Com pouca margem para compreender a realidade emocional e afectiva das crianças, não existem condições para gerir os seus ritmos pessoais e investir na sua motivação. A criatividade e os gostos e/ou talentos pessoais dos alunos passam para segundo plano. Quem não se adapta, fica naturalmente integrado no grupo dos alunos sem ou com pouco sucesso escolar que, aqui entre nós, felizmente tem vindo a crescer. Talvez seja sinal de que já não é assim tão fácil formatar as crianças de hoje. Talvez tenham mais força para resistir…
2. Viver o presente da criança focados no seu futuro
O segundo erro que mais me assusta na escola é a forma como esta olha para a criança e a sua infância. A forma como vê as suas experiências e vivências presentes. Na realidade, integrar uma criança na escola, é iniciar-lhe um treino intensivo para que um dia possa ser o homem ou a mulher que ainda não é. A criança é vista como um projecto inacabado.
Importa o que ela um dia vai ser, como se não fosse já uma pessoa inteira. Retiramos-lhe, assim, o que ela tem de mais precioso na vida, o “agora”. À semelhança do burro que caminha atrás de uma cenoura que nunca irá alcançar, também nós adultos fazemos o mesmo. Sacrificamos constantemente o nosso presente em nome de algo que não existe, e que há de vir (se tudo correr bem). Fazer isto às nossas crianças é ainda mais cruel. É de alguma forma, retirar-lhes parte da sua infância. Acresce a esta “visão” a lógica de que a criança tem que rentabilizar e “retribuir” à sociedade o investimento que é feito sobre si. Daí a necessidade de rapidamente a tornar eficaz e produtiva, o que de resto se reflecte nas avaliações a que começa desde logo a ser sujeita e de acordo com as quais passa desde logo a ser valorizada e classificada. Recaem sobre os nossos filhos o peso das expectativas e a angústia do possível fracasso. Da parte da criança, a resistência a essa integração forçada e “cobrança” precoce, traduz-se muitas vezes em comportamentos de desajuste, agressividade e rejeição das regras “dos adultos”.
3. Acreditar que o sucesso escolar é preditivo de sucesso no futuro
Este terceiro erro atribuo-o essencialmente a nós, pais. A passividade com que por vezes aceitamos a forma de vida na qual estamos integrados, leva-nos a assumir, para nós mesmos, medos, angústias e crenças que a experiência, a ciência, ou a simples observação da realidade nos provaram estar erradas. Sucesso escolar não é sinónimo de felicidade.
Sucesso escolar não é sinónimo de sucesso na vida adulta. Podemos, sim, considerar que eventualmente trará melhores oportunidades de trabalho, de remuneração, de carreira promissora. No entanto, é tão fácil encontrar pessoas com carreiras brilhantes mas que escondem depressões, tristeza e insatisfação com as suas vidas, quanto é fácil encontrar pessoas com trabalhos simples, um orçamento apertado, mas que vivem o seu dia-a-dia com alegria, carinho e plenitude.
Quando nós, pais, passamos a acreditar que o sucesso dos nossos filhos se traduz em boas notas, esquecendo que o sucesso está em aprender (porque os nossos filhos estão suficientemente saudáveis e felizes para o fazerem), validamos as avaliações e passamos a atribuir aos nossos filhos um valor em números. Valor esse que nos chega da escola. Saímos do registo saudável do “aprender pode ser bom e saboroso” para o “ter boas notas é importante para o futuro”. Para termos melhores alunos, é no gosto pela aprendizagem que devemos focar-nos, e não tanto na avaliação dos resultados. O que acontece actualmente é que o desejo natural de aprender é “sufocado”, por um sistema desadequado, competitivo e excessivamente exigente. E as nossas crianças entram rapidamente numa corrida desenfreada mas sem rumo, como se de ratinhos numa rodinha se tratassem. Como se isso fosse, um dia, fazê-las feliz.
Há que considerar que no primeiro ciclo, a criança encontra-se numa fase de grande desenvolvimento emocional e vive uma série de conflitos intrapsíquicos que exigem compreensão, aceitação e validação do seu “sentir”. Contrariamente, a escola põe o foco em aprendizagens racionais e passa a mensagem de que importante não é sentir, nem pensar, mas receber do outro o que já está “colectivamente” pensado. O que nós, pais, deveríamos ter como principal preocupação seria que os nossos filhos ultrapassem estes desafios emocionais com sucesso. Isso sim, é um bom preditivo de uma vida adulta saudável. E uma vida adulta saudável é preditiva de relacionamentos saudáveis, uma boa auto-estima, uma grande vontade de construir e de contribuir positivamente para o próprio e para a vida das pessoas à sua nossa volta. Pessoalmente, é a isto que eu chamo sucesso. As consciências estão a mudar.
É preciso refletir se as escolas de hoje não continuarão a servir um propósito de ontem, estruturando-se como fábricas de trabalhadores, para uma organização social que entretanto já mudou. Este modelo de escola foi importante, até fundamental, durante um período da nossa história. Entretanto, a estrutura social e as consciências ontinuaram a evoluir. Não terá chegado a hora da escola fazer o mesmo?
A curiosidade por novos modelos pedagógicos tem vindo a crescer. A procura de colégios seguidores do Método Montessori, da Pedagogia Waldorf ou Movimento da Escola Moderna, são alguns exemplos. Uma curiosidade crescente, mas ainda com pouca projecção a nível nacional.
No entanto, parece-me que não deixará de marcar a sua posição, numa altura em que pais e professores se sentem desconfortáveis com a realidade actual. “A ver vamos…”
Eu quero acima de tudo, que a minha filha seja feliz, hoje e sempre.
Por Ana Guilhas, Psicóloga Clínica
imagem capa@kidshealth.org
What is the most important influence on child development | Tom Weisner | TEDxUCLA

O POVO CONTRA O SISTEMA ESCOLAR
Eintein já dizia, todos somos génios. Mas se julgar um peixe pela sua habilidade em subir uma árvore, ele viverá a vida toda acreditando que não é capaz. Senhores e senhoras do júri no julgamento de hoje temos a escola da actualidade. Obrigado por terem vindo.
A escola de hoje em dia não força apenas que peixes subam as árvores, mas ainda o fazem descer... e fazer uma corrida de 10 milhas. Diga-me sinceramente escola, você tem orgulho das coisas que tem feito? Transformando milhões de pessoas em robôs? Você acha isso engraçado?
Você tem ideia de quantas pessoas se identificam com esse peixe? Nadando contra a corrente e nunca encontrando os seus dons? Pensando que são estúpidas, acreditando que são inúteis? Mas chegou a hora, chega de desculpas... eu peço à escola para se levantar e acuso-a de matar a criatividade... a individualidade e por ser intelectualmente abusiva. É uma instituição antiga que sobreviveu fazendo isso. Com isso, meritíssimo, encerro o meu discurso de abertura... e se eu puder apresentar as minhas evidências, eu provarei tudo isso.
Exposição A: Isto é um telefone actual, você reconhece isso? Isso é um telefone de 150 anos atrás. É muito diferente, não é?
Isto é um carro actual e isto um carro de há 150 anos atrás. Fazem uma grande diferênça, certo?
Agora veja isto. Isto é uma sala de aula actual... e isto é uma sala de aula de 150 anos atrás. Isto não é uma vergonha? Em mais de um século NADA MUDOU. Você ainda diz que prepara as crianças para o futuro? Com estas evidências, eu preciso perguntar, você prepara as crianças para o futuro ou para o passado? Eu analisei o seu passado e cheguei à conclusão... que você foi feita para treinar pessoas a trabalhar em fábricas, o que explica que você coloque os alunos em filas, tudo bonito e agradável, pede para elas ficarem sentadas, levantar a mão se quiserem falar... dão-lhes pequenos intervalos para comerem, poderem conversar e expressar livremente, sem excessos, numa jornada de 5/8 horas e ainda lhes dizem que devem pensar. Ah, e as fazem competir por um "A" nas provas, letra que determina a qualidade do produto. Daí "carne de primeira" ou tipo "A".
Eu sei, naquele tempo tudo era diferente. Todos temos um passado, eu também não sou nenhum Ghandi. Mas nos dias de hoje, nós não precisamos fabricar robôs zombis. O mundo mudou. Precisamos de pessoas responsáveis, com capacidade crítica, que saibam pensar, de forma criativa, inovadora, com capaidade para interagir, para se conectarem com o mundo global, que sejam empreendedoras a ponto de serem capazes de criar o seu próprio emprego, com capacidade para interagir com os outros e com a tecnologia que dispõem, que sejam independentes,responsáveis e autónomas.

Life is your talents discovered | Sir Ken Robinson | TEDxLiverpool
Todo o cientista diz que não existem 2 cérebros iguaise qualquer pai ou mãe dois ou mais filhos pode confirmar isso. Então, explique-nos porque trata você todos os alunos da mesma maneira, da mesma forma, como se fossem forminhas de bolos ou bonés? Ensinando para todos a mesma porcaria que devia servir para todos...
Cuidado com as palavras.
Desculpe-me meretíssimo... mas se um médico prescreve o mesmo remédio para todos os seus pacientes os resultados seriam trágicos! Muitas pessoas ficariam doentes... e quando falamos da escola é exactamente isso que acontece. Péssimas práticas educacionais, porque dirigidas a pessoas com diferentes capacidades, gostos, motivações, sonhos, necessidades... e você ainda lhes ensina a mesma coisa, da mesma maneira? Isso é horrrível.
Continuamos a ter um professor de pé , na frente de 25/30 criança, a tratar todos de igual forma, o que só por si já é suficientemente estúpido, para pensar em mudar. Meus senhores É URGENTE MUDAR, todo o sistema de ensino.
Senhores e senhoras a ré não devia de ser absolvida. Esse deve ser o caso com maior número de delitos cometido ao decima da Terra. E ainda nem mensionámos a forma como você trata os seus funcionários...
Objeção!
Negada! Eu quero ouvir isso.
Isso é uma vergonha. Os professores possuem o trabalho mais importante do planeta e mesmo assim são mal remunerados? São tratados como empregados de segunda? Não é nenhuma surpresa que muitos alunos não atinjam os objectivos proposto pela escola castradora. Sejam honestos. Os professores deveriam ganhar tanto como os médicos, porque um médico pode realizar uma cirurgia cardíaca e salvar uma criança, mas um bom professor pode tocar o coração daquela criança e fazer com que ela se sinta verdadeiramente viva. Os professores são verdadeiros heróis, que muitas vezes são culpados, mas não são eles oreal problema. O problema é a Escola.
Eles trabalham num sistema com inúmeras opções e direitos. Os currículos são criados por políticos, muito deles nunca deram uma aula na vida. São obsecados por provas e testes. Eles pensam que uma prova de múltipla escolha irá determinar o sucesso de um aluno. ISTO É ASSUSTADOR, CASTASTRÓFICO! Isto é muito estranho. Na verdade... as provas são tão cruéis e tão estúpidas que deveriam ser abandonadas, por completo. Mas não acredite apenas nas minhas palavras, ouça Frederick Kelli, o cara que inventou a prova disso e eu cito:
"Essas provas são muito cruéis para serem utilizadas e devem ser abandonadas."
Senhores e senhoras do júri: se continuarmos seguindo este caminho, estaremos a aumentar os danos desse crime monstruoso que é cometido repetidamente há pelo menos 150 anos, com os resultados letais que já referi.
Eu não tenho muita esperança na Escola, tenho muita esperança nas pessoas. Se conseguimos melhorar o sistema de saúde, os carros, as páginas do facebook, então não é o nosso dever fazer o mesmo com a Educação? Fazer um apgrade, mudar o paradigma.Acabar com essa Escola retrógrada porque é simplesmente inutil, a menos que tivéssemos trabalhando para trazer de volta o espírito de cada aluno. Esse deveria de ser o nosso real trabalho. Nada de senso comum, ao invés disso... vamos tocar o coração de cada aluno em cada sala de aula.
Claro que matemática é importante, mas não mais que a arte ou a dança. Vamos dar chances iguais ao dom de todos. Sei que tudo isso parece um sonho, mas países como a Finlândia estão fazendo coisas incríveis. Eles encurtaram o tempo de aulas, os professores são bem remunerados, não existem trabalhos de casa, os alunos não têm que comprar livros todos os anos, nem ir carregados com eles para a escola. Em vez de suscitarem a competição entre os alunos, previligiam a cooperação, a interação e a colaboração.
Aí está o segredo, meninos e meninas. O sistema educacional deles supera o de qualquer país do mundo. Alguns outros países como Singapura estão avançando rapidamente, escolas como Montessori, programas como Khan Academy. Não há apenas um caminho, mas precisamos de nos mexer. Enquanto os estudantes são 20% da população, ao mesmo tempo são 100% do nosso futuro. Portanto, vamos escutar os seus sonhos e dessa forma não existirá nada que não possamos atingir. Este é o mundo em que eu acredito. Um mundo em que os peixes não serão mais forçados a subir às árvores.
A EDUCAÇÃO PROIBIDA
"Ao sistema de construção dos Estados não lhes preocupa o ser humano como indivíduo, mas sim o que fazer com ele, formatá-lo o mais possivel para fazer parte de uma classe amorfa, que cumpra ordens, execute tarefas e não pense...". A educação que busque outra coisa tem de ser proibida.
Criar uma nova escola, questionar a escolarização moderna e propor um novo modelo educativo.
O atual sistema "PRUSSIANO"
originado do padrão de educação da Prússia, no século XVIII, tem como objectivo gerar uma massa de pessoas obedientes e competitivas, com disposição para guerrear.
As escolas são colocadas no mesmo patamar das fábricas e dos presídios, com os seus portões, grades e muros; com horários estipulados de entrada e de saída, fardamento obrigatório, intervalos e sirenes indicando o início e o fim das aulas.
Ou seja, o sistema educacional vigente acaba por refletir verdadeiras estruturas políticas ditatoriais que produzem cidadões "amestrados" "adestrados" para servir ao sistema; nesses termos, qualquer metodologia educacional que busque algo diferente será "proibida".
Infelizmente, esse foi o modelo que se espalhou pela Europa e depois pelas Américas.
A sua principal falha está em um projecto que não leva em consideração a natureza da aprendizagem a liberdade de escolha ou a importância do amor e relações humanas no desenvolvimento individual e coletivo.
Aqui estamos agora, com este problema enorme nas mãos... Assim, fracassados somos todos os que compactuamos directa ou indirectamente com esta máquina de subjugar crianças e adolescentes inocentes.
Talvez por isso exista tão pouca iniciativa privada.
"Todo o mundo fala de paz, mas ninguém educa para a paz. As pessoas educam apenas para a competição. As pessoas educam apenas para a competição e a competição leva à guerra." (Pablo Lipnisky)
A todas as crianças e jovens que querem crescer em liberdade.

COMO ESCOLAS PODEM ESTIMULAR A INTELIGÊNCIA EMOCIONAL DE SEUS ALUNOS
A Inteligência Emocional, ferramenta que ajuda a entender e lidar melhor com suas emoções, pode muito bem ser desenvolvida desde cedo, por meio da educação na escola e no próprio seio familiar. No post de hoje, vamos falar sobre como a escola pode estimular a Inteligência Emocional de seus alunos e contribuir para que levem uma vida mais feliz e equilibrada. Não parece uma boa? Então vamos lá!
Do que exactamente estamos falando?
Não se deve confundir a Inteligência Emocional com a auto-ajuda, já que seu foco não é simplesmente o pensamento positivo. Trata-se, na verdade, de um exercício de compreensão dos sentimentos negativos e da formação de um repertório para lidar o mais adequadamente possível com eles. Portanto, o estímulo à Inteligência Emocional desde cedo tem um papel importante na criação do indivíduo, encorajando os jovens a lidar com seus sentimentos e emoções de forma construtiva.
É importante, primeiramente, entender que o conceito de Inteligência Emocional não é centrado na medição da inteligência em si, mas sim em sua otimização por meio da educação para as emoções. Por isso, essa inteligência deve ser encarada como uma construção permanente. Por mais que se origine no seio familiar, a partir da maneira como as crianças e os adolescentes se relacionam com seus entes e os veem se relacionarem uns com outros, ela ainda assim deve ser reforçada e trabalhada em outros espaços, dessa vez não domésticos, onde as crianças aprendem a lidar umas com as outras e também com formas de hierarquia diferentes. E é aí que entra a escola!
Mas a verdade é que, por mais que a escola seja o espaço onde as crianças e os jovens passam a maior parte de seu tempo, o modelo de educação que temos hoje em dia foca muito mais em conteúdos a serem estudados do que na socialização dos alunos, ou seja, em como eles se relacionam afetiva e profissionalmente. Por isso, a escola tende a formar profissionais excelentes, do ponto de vista técnico, mas que encontram certas dificuldades para se colocar no mercado de trabalho, até mesmo experimentando conflitos em diferentes relacionamentos.
E como a escola pode ensinar a Inteligência Emocional?
Como o desenvolvimento emocional é um processo de construção altamente influenciado pelo meio, as escolas precisam exercer um papel ativo na formação das crianças e dos jovens. Em alguns países já se pratica a educação emocional na escola, em alguns casos com status de disciplina do currículo — com nomes como “alfabetização emocional” ou “a ciência do eu” —, enquanto em outros com programas paralelos, relacionados a solução criativa de conflitos, programas de desenvolvimento e competência social, dentre outros.
Outra possibilidade pedagógica é ministrar a educação emocional em linhas transversais, interligando diversas disciplinas por meio da colaboração dos professores. Esse processo é um pouco mais difícil de ser coordenado, uma vez que envolve a construção de atividades complementares em diversas matérias, no entanto, é a mais recomendada, pois não cria momentos artificiais de debate. Em vez disso, problematiza relações e emoções que surgem ao longo de um trabalho em grupo ou quando um aluno se sente contrariado por professores ou colegas, por exemplo. Muito mais natural, não concorda?
Qual vem a ser o papel do professor nisso tudo?
No processo da educação emocional, a função do professor é absolutamente fundamental, usando sua sensibilidade para transpor as barreiras do seu próprio conhecimento e da sua prática em sala de aula para abrir espaço para o debate e para a educação emocional. Isso pressupõe que o profissional seja mais do que um vector de conhecimentos, passando a actuar com a intenção de realmente preparar os alunos a serem conscientes e responsáveis em sua forma de sentir, de pensar e de agir.
Reconhecendo as emoções das pessoas ao seu redor, o professor pode criar um canal extremamente fértil e acessível para uma interacção equilibrada a partir de sentimentos como alegria, tristeza, medo, raiva ou até vergonha. Fazer isso inclusive potencializa a capacidade de aprendizado de conteúdos mais tradicionais, pois permite que cada um entenda e desafie os limites de seus estudos e os obstáculos que encontra tanto para aprender o conteúdo quanto para se relacionar com a família e os professores que fazem parte desse processo de aprendizado.
Agora que você sabe como a escola pode ajudar a estimular a Inteligência Emocional dos alunos, que tal conversar com os diretores sobre isso? Conhece alguma escola que já pratica a educação emocional? Divida suas opiniões conosco aqui nos comentários!
Finlândia prepara-se para acabar com as aulas tradicionais
O que podemos aprender com o novo método do ensino finlandês, que é considerado um dos melhores sistemas educacionais do mundo?
A Finlândia é conhecida por ser o país com um dos melhores sistemas educacionais do mundo, mas prepara-se para uma mudança profunda e que já está a gerar controvérsia: acabar com as aulas tradicionais. O sistema tem sido testado nos últimos dois anos e vai passar a vigorar a partir de 2016, em todos os centros de ensino.
Este novo método é apelidado de " phenomenon learning". Prevê a rutura das aulas tradicionais, substituindo-as por projetos, onde são os jovens a apropriar-se do processo de aprendizagem.
"Na educação tradicional, os alunos vão à sala de aula e têm aulas de matemática, depois de literatura e depois de ciências. Agora, ao invés de adquirir conhecimentos isolados sobre matérias diferentes, o papel do estudante é ativo. Eles participam no processo de planeamento, são pesquisadores e também avaliam o próprio processo", explicou Marjo Kyllonen, do ministério da educação de Helsínquia, à BBC.
A nova metodologia permite que as crianças escolham temas do seu interesse e que façam propostas de atividades aos professores sobre eles, trabalhando numa perspetiva colaborativa e interdisciplinar.
O jornal cita, a título de exemplo, um trabalho que alguns alunos do quarto ano decidiram fazer sobresmartphones. “Um tema que servia para estudar matemática, estatísticas, para saber quais as razões que levam as pessoas a usarem os telefones, literatura, para indagar como as mensagens de texto mudaram a forma de escrever... A ideia era deles e, por isso, podiam relacionar-se imediatamente com o tema", afirmou Marjo Kyllonen.
Este sistema visa reverter a separação de matérias típica do ensino tradicional, que as autoridades finlandesas acreditam que não contribui para uma evolução das crianças nos anos seguintes, “onde precisarão de uma capacidade de pensamento transdisciplinar, olhar os mesmos problemas a partir de perspetivas diferentes e usando ferramentas diferentes”.
Uma das principais mudanças vai ser no papel dos professores, que devem começar a trabalhar de forma colaborativa com os alunos, assumindo, antes, um papel de mentores. O fim das aulas expositivas promete uma comunicação cada vez mais “de igual para igual” com os alunos e menos unidirecional.
“Não acho que os professores se possam simplesmente sentar e observar o que está a acontecer. Penso que o seu papel é ainda mais importante do que no sistema tradicional, pois precisam de ter muito cuidado na forma como aplicam este método”.
O sistema tem sido introduzido gradualmente na Finlândia, nos últimos dois anos, para preparar crianças e educadores para as novas especificidades do "phenomenon learning". No primeiro semestre do ano passado, 70% dos professores, em Helsínquia, já tinham recebido formação para poderem aplicar o novo método.
Uma nova metodologia que não está a ser poupada a críticas
Contudo, apesar de prometer melhorar o sistema de ensino finlandês, o novo método não tem sido poupado a críticas, tanto por especialistas, como pelos próprios alunos.
“Tem as suas vantagens e desvantagens. É diferente e os professores podem ser criativos e trazer novas fórmulas de ensinar e de aprender. Isso é divertido. Mas eu não gostaria que durasse o ano inteiro, porque é muito bom ter certa liberdade criativa para aprender de vez em quando, mas também existe a educação tradicional, que também cumpre uma função”, disse um jovem finlandês, falando sobre a sua experiência, em entrevista à BBC.
Já os especialistas em educação temem que o método possa fazer com que o conhecido sucesso do ensino na Finlândia se deteriore. Tim Oates, professor na Universidade de Cambridge diz que a educação no país está a decair desde 2000 e que seria uma pena que outros países retirassem lições erradas e precipitadas por causa da experiência, que se tem revelado positiva, na Finlândia.
Segundo a BBC, o professor recorda que esses bons resultados alcançados no início do século XXI se deveram a medidas implementadas em 1970, como a presença de supervisores nas salas de aula, aplicação de exames obrigatórios e forte formação de professores.

Bullying: como combater a agressão por meio da Inteligência Emocional
Infelizmente hoje em dia é muito comum vermos os mais diversos casos de bullying tanto em escolas como em empresas ou até mesmo em casa, com crianças, adolescentes ou adultos. Independentemente da idade ou do local, o bullying é um ato que afeta muito a vida de uma pessoa. E na mesma medida em que esses casos crescem aumenta também a preocupação da sociedade e, claro, das famílias brasileiras, afinal de contas, atos de bullying podem causar danos que, em alguns casos, podem ser simplesmente irreparáveis.
Como atualmente tem havido uma discussão extremamente construtiva sobre a utilização da Inteligência Emocional como forma de combate ao bullying, pode-se dizer que a luz no fim do túnel finalmente apontou. Se você já passou por isso ou se está preocupado com o bem-estar dos seus filhos em relação ao assunto, acompanhe agora mesmo nosso post e conheça essa nova forma de combate à agressão.
Afinal de contas, o que é bullying?
Bullying é um termo em inglês originado da palavra bully, que significa valentão. Hoje em dia a palavra tomou para si um significado mais grave, nomeando um ato praticado por uma única pessoa ou por um grupo contra alguém. Esses atos de agressões, que podem ser físicas ou verbais, costumam ser constantes e se repetir por diversas vezes. Os motivos que levam ao bullying podem ser diversos, incluindo divergências em relação a religião, raça, origem, país e até opiniões ou preferências! Às vezes simplesmente ser diferente dos demais em um determinado ambiente já é tido como motivo para esse ato nada aceitável.
Segundo pesquisa recente feita pela IBGE, quase um terço (30,8%) dos estudantes brasileiros já sofreram Bullying. Palestras, debates, normas e conscientização nas escolas são formas de evitar a prática. Mas porque ainda assim tantas crianças são vítimas desse mal?
“Baixa auto-estima, dificuldade de relacionamento social e no desenvolvimento escolar, fobia escolar, tristeza, agressividade, depressão. Esses são apenas algumas das consequências que uma pessoa que sofreu ou sofre bullying pode apresentar. Essas pessoas são alvos mais visados e tornam-se mais vulneráveis por apresentarem alguma característica que sirva de foco para as agressões, como por exemplo: obesidade, baixa estatura, deficiência física, ou outros aspectos culturais, étnicos ou religiosos”, explica Rodrigo Fonseca, fundador da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional.
Segundo o especialista, muito além de uma conscientização dos males que o bullying pode ocasionar, as pessoas precisam ir para a prática.
“As pessoas aprendem desde muito cedo o que NÃO devem fazer, mas não aprendem o principal: o que DEVEM fazer para ajudar o outro e a si mesmo”, enfatiza Fonseca.
Para ele, devemos fazer o oposto para acabar com essa prática que gera tanto sofrimento em crianças e adultos: além de não destacar os pontos negativos, fazer o inverso: elogiar, destacar os pontos fortes e qualidades das crianças e adultos.
Considerando que o bullying já é uma prática muito antiga, mas que ganhou muito mais força e destaque quando a ação foi “nomeada”, a Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional decidiu levantar a bandeira do que se deve ensinar às crianças, ou seja, o “PRAISING”, que em inglês significa elogiar e destacar as qualidades.
Portanto, a partir de agora existe um nome que deve ser ensinado dentro das famílias e escolas… PRAISING!
Rodrigo sugere que essa prática deve começar em casa, pois tudo o que os pais ou pessoas mais próximas dizem e fazem tem influência direta na forma como a criança se comporta fora de casa.
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Os pais devem ajudar as crianças a lidar e valorizar as diferenças, procurando questionar e trabalhar os preconceitos dentro de casa.
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Devem sempre reconhecer por meio de palavras quando elas acertam ou fazem algo positivo, explicar quando elas estão erradas, mostrar que elas têm muitas qualidades e são únicas, assim como seus colegas e as pessoas que vivem ao seu redor também tem suas qualidades, erros e acertos.
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O comportamento dos pais também são espelhos para as crianças.
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“Quando uma criança ouve seus pais trocando elogios e reconhecimentos, ela repete isso fora de casa. Da mesma forma, quando ela ouve ofensas, críticas e descasos, também repete.”
O ideal seria que, além do ambiente familiar, as escolas também ensinassem as crianças a lidarem com suas diferenças, sempre incentivando-as a reconhecer qualidades e talentos, tanto os seus quanto dos colegas.
“Pensando nesse contexto, nós da Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, estamos em fase final do ‘Projeto Inteligência Emocional nas Escolas’, que levará a Inteligência Emocional como uma disciplina, desde o Ensino Fundamental até o Superior. Essa é uma maneira de criarmos uma sociedade de indivíduos com a sua auto-imagem mais positiva e confiante, o que resulta em pessoas mais saudáveis e felizes por meio da prática do PRAISING!”, finaliza Rodrigo Fonseca.
E o que vem a ser a Inteligência Emocional?
A Inteligência Emocional ensina os indivíduos a conviverem da maneira mais amena possível com seus próprios sentimentos, de modo a lidarem bem com as diversas situações da vida que os envolvam. Por meio da Inteligência Emocional uma pessoa aprende a se conhecer e a ter total controle sobre suas emoções, o que muda completamente sua perspectiva de vida e facilita a superação de obstáculos ao longo do caminho. Com esse controle o percurso definitivamente se torna menos sinuoso.
Qual é seu papel na prevenção do bullying?
Nesse contexto, o papel desempenhado pela Inteligência Emocional é muito importante, sendo capaz não só de fazer com que o agredido lide melhor com a situação como de prevenir que os atos efetivamente aconteçam, já que até os agressores aprendem sobre o respeito ao espaço do outro, beneficiando-se dessa lição para a vida toda.
A primeira educação que recebemos é no seio familiar, certo? Nesse ambiente damos início à formação da nossa personalidade e do nosso caráter. Até então tudo bem. Mas aí a criança precisa entrar para a escola, tendo ali seu primeiro convívio em sociedade. Nesse ambiente passa a ter contato com diversos tipos de pessoas, precisando aprender a lidar com elas. E é nesse momento que a Inteligência Emocional pode ajudar — e muito!
Como a Inteligência Emocional deve ser trabalhada?
A Inteligência Emocional deve ser trabalhada desde cedo, logo nas escolas. Para isso, os profissionais que fazem parte desse ambiente devem ser devidamente preparados. É importante também que haja uma cooperação produtiva entre o ambiente escolar e o contexto familiar para que o desenvolvimento da Inteligência Emocional seja completo.
Pensando nisso, Rodrigo Fonseca vem desenvolvendo um projeto para inserir o ensino da Inteligência emocional como disciplina em escolas. Diz o profissional que a Sbie já está na fase final do Projeto Inteligência Emocional nas Escolas, que levará esse aprendizado desde o Ensino Fundamental até o Superior, sempre com o objetivo de se criar uma sociedade de indivíduos com uma autoimagem mais positiva e confiante, o que resulta em pessoas mais saudáveis e felizes por meio da exaltação das qualidades das pessoas — o chamado praising!
Se houver uma preocupação real em ensinar às crianças a lidarem com as diferenças e com os diversos tipos de pessoas e situações que podem aparecer em seus caminhos, o bullying poderá ser evitado e, com ele, suas consequências também desaparecerão. Assim a sociedade poderá formar adultos menos ansiosos, com menos receios e inseguranças, ao mesmo tempo em que são mais conscientes, produtivos, decisivos e ativos. Melhor arregaçar as mangas e começar os trabalhos, não acha?
Mas antes pare por um minutinho e nos conte aqui se você já conhecia a Inteligência Emocional! Seus filhos por acaso vêm passando ou já passaram por alguma experiência traumática na escola? Deixe seu comentário e participe da conversa!

A CASTÁSTROFE DA ESCOLA TRADICIONAL EM QUADRADINHOS
18 Quadrinhos contundentes rara se entender porque colocar uma criança numa Escola Tradicional é um Desastre
por André Camargo
“Para quem só tem um martelo, todo problema parece um prego.”
- autoria desconhecida

1. A Escola como a conhecemos é uma estratégia de instrução em massa
A ideia é otimizar a produção e reduzir os custos.
Apenas um funcionário para um bando de aluno.
Funciona bem para produzir clipes de papel ou automóveis. Mas seres humanos não são clipes de papel nem automóveis.
Tratar pessoas como coisas já é, em si, uma forma de violência
Não tem como fazer bem para a vida emocional de uma criança novinha, em formação, ser inserida em um sistema que, para funcionar, supõe que ela não é diferente de um objeto.
A criança vira aluno. E alunos viram números.
A Escola lança as bases para vivermos em um mundo em que pessoas são tratadas como coisas, e coisas têm mais valor que pessoas.




2. A instrução em massa opera pela lógica da homogeneização.
Agrupamos crianças por idade, séries e classes.
Obrigamos as crianças a estudar os mesmos tópicos ao mesmo tempo, no mesmo ritmo. A fazer os mesmos exames e dar as mesmas respostas.
Depois de passarem pelo longo processo de escolarização, elas ficam treinadas para valorizar os iguais. E sentem medo e intolerância diante de quem é diferente.
O que também acontece em igrejas e quartéis, por exemplo.
E assim — por não aprendermos a conviver com o diferente — se produzem as variadas formas contemporâneas de violência, como o bullying, o racismo, a misoginia, a homofobia, a xenofobia, os Bolsonaros, Cunhas, Malafaias, Olavos e Felicianos.
3. Para crianças saudáveis, o confinamento e as rotinas escolares são uma violência.
O protesto é sinal de saúde. Todo organismo saudável rejeita espontaneamente o que não faz bem.
Quando um adulto desqualifica o protesto afirmando que isso tudo é necessário, que não tem jeito, o mundo é assim mesmo e coisas do gênero, não se trata de ponderação, mas de cinismo.
Ou de identificação com o agressor: O adulto adota o discurso de quem o violentou.
Ou de uma expressão de ódio deslocada para a criança: Eu passei por isso, agora você vai ter que passar também!
Mas a vida já carrega uma dose mais do que suficiente de sofrimento e exigências com que cada um de nós vai ter de aprender a lidar para amadurecer.
A gente não precisa do gigantesco arsenal adicional de cobranças e frustrações (perfeitamente evitáveis) que a Escola impõe.
4. A Escola pretende preparar o ser humano para a vida e o mundo. Como?
Retirando a criança da vida e do mundo. (!)
Depositando-a num ambiente artificial e estéril (a sala de aula).
Trancando a porta.
E tratando todo movimento da criança em direção à vida e ao mundo como desvio e distração — passíveis de punição.
5. Toda criança saudável chega ao mundo com um graaaande coração.
É só observar um ser de fraldas.
Amorosa, compassiva, criativa, espontânea, ousada, curiosa, arrojada, vibrante, íntegra, generosa, empreendedora, interessada, divertida, corajosa, cheia de energia.
Aí começa a conviver com adultos escolarizados. E a frequentar a escola. E a ser bombardeada com mensagens publicitárias, que insistem que ela não é boa o suficiente. Que ela precisa de mais, mais, mais.
E o coração vai murchando, fica contraído, rígido, apertado. Doído.
Às vezes, até para de bater.















6. À Escola Tradicional só interessa uma quantidade limitada de talentos humanos.
É uma verdadeira tragédia.
Talentos e paixões massacrados pelo tribunal do Saber Formal — associado aos imperativos do Mercado.
Silenciados.
Seres com potenciais extraordinários atrofiados, convencidos de que não têm valor.
Auto-estima destruída. Geralmente, pelo resto da vida.
7. Pessoas escolarizadas vivem uma desconexão entre a realidade e ‘mapas’ da realidade.
E mal percebem a contradição.
Passam a vida se preparando por meio de livros, programas, manuais, cursos e instruções. Fazendo planos.
Habitam estreitos mundos mentais, enquanto a vida vibra — e passa — em algum outro lugar.
Não à toa. Foram treinadas desde cedo para terem medo da vida e se refugiarem nos pensamentos.
8. A Escola é uma máquina de ajustamento
Esta ficou conhecida como a tirinha mais triste de todos os tempos.
Eu concordo.
Me contaram que não foi Bill Watterson quem a desenhou. Aparentemente, foi um fã.
A necessidade de ajustamento ao sistema é brutal.
Desvios não são tolerados.
A criança começa a ser medicada pelos adultos quando apresenta sintomas de… infância.
Construímos coletivamente um mundo cujo bom funcionamento transforma a infância em transtorno.
9. A Escola de massas certifica por meio de testes padronizados
São o equivalente do controle de qualidade nas indústrias.
Notas e exames padronizados não existem na vida e na Natureza.
São uma invenção perversa.
Por que perversa?
Vou citar dois motivos:
-
Testes padronizados só fazem sentido para certificar a qualidade de produtos produzidos em massa. Eles identificam defeitos em cópias.
-
No sistema escolar, a nota acaba ficando associada ao valor da pessoa.
Quem tira nota baixa é ‘reprovado’. Punido.
Chamam os pais para conversar. A criança sente-se mal consigo mesma, com vergonha. É recriminada em casa e na escola.
Não tem futuro.
Todo mundo acredita e vira uma profecia auto-realizadora.
Mas não tem como medir o valor de uma pessoa com notas e exames.
(É também na Escola de massas que toma fôlego a ideia bizarra de Meritocracia — que desconsidera retumbantemente as singularidades e as condições particulares de cada pessoa.)
Veja o quadrinho de novo.
10. O Mundo do Trabalho é uma extensão do Mundo da Escola
Às vezes parece que foi Zeus quem determinou que temos de passar por longos anos de escola e depois o resto da vida em empregos medíocres.
Observar agoniados o tempo escorrendo pelo ralo em meio a tarefas e cobranças sem sentido.
Como se não houvesse alternativa.
Mas não. Basta estudar História.
A estratégia de educar seres humanos por meio de instrução em massa é uma invenção recente. Pela maior parte da história da humanidade, os seres humanos foram educados de outras maneiras.
E, portanto, há alternativas.
A ideia da escola de massas é produzir um amplo contingente de trabalhadores domesticados, sem crítica ou senso político.
Somos necessários para operar as máquinas nas indústrias — ou os computadores nas empresas — sem enchermos muito o saco.
11. Da palmatória à Ritalina
Como criamos uma sociedade hipócrita?
Silenciando os impulsos naturais e saudáveis de todo ser humano.
Botando-os sentados em silêncio durante longas horas até que se acostumem a aceitar as palavras de uma autoridade externa.
A quem não se enquadra, a palmatória.
Quando a criança não se comporta do jeito que a escola espera, com frequência como protesto saudável a um sistema hostil, refratário a suas necessidades humanas, ela precisa ser silenciada. É intolerável que aponte as contradições do sistema.
A Ritalina é muito mais sofisticada — e brutal — que a palmatória. Funciona como uma mordaça química, da qual a criança não tem como fugir.
Uma traição covarde à confiança que a criança deposita nos adultos.
A medicação atua de dentro para fora, silenciosa e potente. Abafa os protestos e força a criança, quimicamente, a se enquadrar.
Medicar as crianças que não se encaixam atende perfeitamente aos anseios dos pais, professores e médicos (mas sobretudo da indústria farmacêutica).
Ou seja, não foram os pais, os professores ou a sociedade que falharam, por meio de um sistema obtuso e violento — a criança é que tem algum defeito biológico que a leva a se comportar daquele jeito.
Isso se chama ‘culpabilização da vítima’.
12. Como adestrar um cavalo?
A gente ‘quebra’ o ímpeto dele. Elimina o que nele há de selvagem.
É o que a gente também faz para adestrar seres humanos. Transformamos energia e vitalidade em sono, tédio e apatia.
Assim podemos montar neles e conduzi-los para onde quisermos.
13. Linhas, uniformes, grades curriculares
A arquitetura da Escola Tradicional imita uma penitenciária.
Celas trancadas (salas de aula) e corredores.
Ambiente, rotinas e relações institucionalizadas. Um mundo à parte.
Não é socialização, de verdade. É um simulacro esquelético de socialização.
O recreio equivale ao banho de sol diário dos prisioneiros. Sempre curto demais e barulhento de energia acumulada.
Crianças saudáveis vivem a Escola como uma prisão.
Em nível sutil, é mais grave: a colonização do corpo e da subjetividade por programas disciplinares funciona como uma prisão invisível, que acompanha a pessoa aonde ela for.
14. A terceirização da infância
A gente quer trabalhar mais, para ganhar mais e poder comprar mais, não é?
Tem muuuita coisa legal pra comprar e usar atualmente. Lugares para conhecer, restaurantes, filmes e livros, games. Mídias sociais.
É bom para a empresa e para a economia do país.
Mas o que a gente faz com as crianças? Eles dão trabalho, exigem atenção.
A gente precisa tirar elas do meio.
É só mandar para a escola em tempo integral. Babá. Mais aulas de judô, natação, teatro, inglês, chinês, espanhol e informática. Ou larga na rua. Ou deixa na frente da televisão, de repente jogando o dia inteiro no tablet, celular ou computador.
Para muitas famílias, a escola vira um depósito de crianças. É conveniente.
O problema são as férias e finais de semana, quando os adultos precisam lidar com aqueles pentelhinhos que eles mal conhecem. E não fazem ideia de como tratar.
E as crianças intuem que estão sendo tratadas como estorvos.
15. Em poucas palavras, é isso mesmo, Dinho.
O Mercado precisa de mão de obra barata e consumidores ávidos.
E se alimenta de nossos sonhos e realizações.
“Eu espero que se tornem pessoas independentes, inovadoras e críticas que façam exatamente o que eu mandar!”
16. A Escola de massas não muda
Ela é uma instituição guardiã do status quo.
Os discursos e as modas mudam.
Para agradar aos clientes.
Mas as práticas seguem rigorosamente as mesmas.
Os alunos respiram hipocrisia e contradições. E passam a achar que é normal.
É, eu sei, este aqui não é um quadrinho. É só a foto de um livro.
Tudo bem, pausei a contagem.
Agora, para mim, não é um livro qualquer — é um livro que mudou a minha vida.
Isso faz 20 anos, mais ou menos.
Foi o tempo que levei da crítica à instituição-escola até conhecer a desescolarização.
Ler esse cara aí foi como a primeira vez que um míope usa óculos. Comecei a enxergar a educação formal com uma nitidez de perder o fôlego.
Ah, e ele é todo feito com quadrinhos e cartuns.
Como, por exemplo, os últimos dois desta série:
17. A Escola compartimentaliza o saber
A gente vai de uma disciplina para outra como se fosse uma linha de montagem.
Eu sei, é uma manobra epistemológica que permite a especialização. No conjunto, o avanço do conhecimento é maior.
Mas o preço é alto.
Na formação da criança, a compartimentalização causa uma espécie de esquizofrenia na relação com o mundo. A criança substitui a experiência direta, una, da realidade por fórmulas e representações abstratas, organizadas em disciplinas que, com frequência, mal conversam entre si.
18. A Escola foca-se apenas no desenvolvimento intelectual
Conteúdo e memorização.
O resto não dá para medir por meio de provas e exames, então deixa pra lá.
A gente faz de conta que não existe.
A consequência: tornamos-nos seres mentais.
Cabeça grande, coração atrofiado.
Nosso intelecto funciona bem, mas somos extremamente desajeitados para lidar com afetos, emoções e relacionamentos, por exemplo.
Somos desajeitados para viver uma vida com sentido e significado.
Sofremos de baixa auto-estima, carência, solidão, excesso de auto-crítica, insegurança, angústia, ansiedade, inibições e oscilações de humor. Pânico e Depressão. Tornamo-nos dependentes de remédio, de sexo, de comida, de elogios, das mídias sociais ou do consumismo vazio.
Como diz Daniel Goleman, no livro Inteligência Emocional, a escola não forma para a vida; a escola só prepara o ser humano para a escola.
Em outras palavras, a gente estuda um cagalhão de coisas que, afinal, serão úteis para…
…fazer a prova.
Depois esquece tudo.
(como aquele cara daquela história grega que ficou condenado pela eternidade a empurrar uma pedra enorme até o topo da montanha e aí ela rolava de volta pra baixo de novo e de novo e de novo)
Esses dias, meses e anos — da infância ao começo da vida adulta — que passamos na escola, infernizados por programas, tarefas e avaliações, nas palavras de Tião Rocha, são como serviço militar obrigatório.
E, o mais grave: depois que passam, não voltam mais.
Um desperdício atroz do que temos de mais precioso.
A vida leve, despreocupada e apaixonante que podia ter sido.
E que não foi.
6 TENDÊNCIAS PARA O FUTURO DA EDUCAÇÃO
Vamos pensar sobre do que se trata a educação: preparar as pessoas para a vida e para o mercado de trabalho futuro… futuro esse que está provavelmente distante uma década ou mais.
Agora pense sobre uma década ou mais de mudanças: quantos de nós prevemos 10 anos atrás como seriam nossas vidas hoje? Quantos de nós sabíamos que enfrentaríamos um novo processo de Impeachment, que teríamos novamente um cenário de alta inflação, ou então o fato de que tecnologias como Smartphones, ebooks, e serviços como Uber, Airbnb seriam tão usados? Provavelmente não muitos.
Logo, a única coisa que podemos ter certeza sobre o futuro, dada a velocidade com que a tecnologia evolui, é que muito em breve o mundo será muito diferente do que é hoje, como vimos aqui.
Enquanto todas essas mudanças ocorrem, o sistema educacional ainda continua muito parecido ao que era no passado: massificado, segmentado e com um sistema de avaliações que leva em consideração principalmente a capacidade de memorizar do aluno. E se você notar alguma semelhança nesse sistema com a operação de uma fábrica – massificado, repetitivo -, saiba que você não está errado. No livro Out of Our Minds, Sir Ken Robbinson explica que a escola surgiu para suprir o aumento da demanda por mão-de-obra das fábricas nas linhas de montagem, na época de Revolução Industrial. Não à toa, as salas de aula possuem semelhanças com um chão de fábrica: cadeiras enfileiradas e todos fazendo as mesmas tarefas, de forma linear.
Então fica a pergunta: será que um sistema assim, que continua muito parecido a quando foi criado há mais de 100 anos, realmente prepara para o futuro?
Acreditamos que não. Selecionamos abaixo 6 tendências para o futuro da educação que podem colaborar para que o sistema de ensino acompanhe as mudanças no mundo:
1. Salas de aula:
Salas de aula com função diferente: ao invés de serem destinadas a teoria, as salas terão como objetivo a prática. O aluno aprende a teoria em casa e pratica nas salas de aula com auxílio de um professor/mentor.
2. Aprendizado personalizado:
Estudantes irão aprender com ferramentas que se adaptam a suas próprias capacidades, podendo aprender em tempo e locais diferentes. Isso significa que alunos acima da média serão desafiados com exercícios mais difíceis e os com mais dificuldade terão a oportunidade de praticar mais até que atinjam o nível determinado. Esse processo fará com que os professores sejam mais capazes de ver claramente qual tipo de ajuda cada estudante precisa.
3. Livre escolha
Estudantes terão a liberdade de modificar seu processo de aprendizagem, escolhendo as matérias que desejam aprender com base em suas próprias preferências e poderão utilizar diferentes dispositivos, programas e técnicas que julgarem necessários para o próprio aprendizado.
4. Aplicabilidade prática
O conhecimento não ficará apenas na teoria, ele será posto em prática através de projetos para que os alunos adquiram o domínio da técnica e também pratiquem organização, trabalho em equipe e liderança.
5. QE > QI (quociente emocional > quociente de inteligência)
Uma vez que a tecnologia traz mais eficiência e vem cada vez mais substituindo o trabalho humano em diversas áreas, a formação deverá contemplar a presença de habilidadades essencialmente humanas e valorizar ainda mais as interações sociais. As escolas deverão prover mais oportunidades para os alunos adquirirem habilidades do mundo real, que farão a diferença em seus trabalhos. Isso significa mais espaço para programas de trabalho, mais projetos colaborativos, mais prática.
6. O sistema de avaliações irá mudar
Muitos argumentam que a forma como o sistema de perguntas e respostas das provas não é eficaz, pois muitos alunos apenas decoram os conteúdos e os esquecem no dia seguinte após a avaliação. Ainda, esse sistema não avalia adequadamente o que realmente o aluno é capaz de fazer com aquele conteúdo na prática. Por isso, a tendência é que as avaliações passem a ocorrer na realização de projetos reais, com os alunos colocando a mão na massa.

EDUCAÇÃO DE EXCELÊNCIA
Teaching Methods for Inspiring the Students of the Future | Joe Ruhl | TEDxLafayette
Sistema educacional, escola na Finlândia uma nova visão na educação c/ Michael Moore